
O leite é uma matéria-prima destinada a distintas indústrias visando a obtenção de produtos derivados como queijos, fermentados, leites pasteurizados, doces, UHT, entre outros. A qualidade do leite é um fator determinante para a segurança.
Vários fatores interferem nesta qualidade como raça, genética, alimentação e manejo, por exemplo, sendo o leite definido como o produto oriundo da ordenha completa e ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem alimentadas e descansadas. Essa matéria-prima está entre os seis produtos mais importantes da agropecuária brasileira.
As Boas Práticas Agropecuárias (BPA) são a parte fundamental que significa a utilização e a implementação de procedimentos adequados em todas as etapas de obtenção, produção, processamento, armazenamento, transporte e distribuição de matérias-primas, insumos e produtos agroalimentares. Deve ser mantido desde o elo primário de produção a campo até os consumidores, fornecendo garantia de qualidade e segurança.
Entre as BPA’s, temos que levar em conta que os animais precisam ter uma alimentação balanceada para que tenhamos uma boa produção e, consequentemente, uma boa lucratividade na propriedade. Além disso, temos que fornecer bem-estar animal. Somente com um animal bem alimentado e em boas condições de criação obteremos sucesso.
Outro ponto importante é o manejo de ordenha. Primeiramente se faz o dipping, uma imersão dos tetos em determinada substância antisséptica para prevenir infecções na glândula mamária. Esse procedimento é dividido em duas etapas: o pré e pós-dipping.
A aplicação do pré-dipping é um procedimento realizado antes da ordenha, com a desinfecção dos tetos em solução desinfetante, podendo ser utilizado o iodo, clorexidina ou cloro. A intenção é deixar os tetos submersos para que a carga de microrganismos residentes no local diminua, reduzindo a possibilidade de infecção por microrganismos do ambiente (mastite ambiental).
Depois da aplicação, é importante deixar a solução agir por 30 segundos e secar os tetos com um papel toalha para cada teto. Após o pré-dipping, é necessário descartar os três primeiros jatos de cada um dos tetos antes da ordenha, pois os mesmos tem uma alta carga de bactérias.
O pós-dipping é um procedimento de desinfecção após a realização da ordenha. O objetivo desse manejo é evitar novas infecções entre as ordenhas e também a contaminação por microrganismos do ambiente. A substância utilizada é normalmente viscosa, a fim de permanecer mais tempo no úbere. Como o esfíncter do teto permanece aberto por cerca de duas horas após a ordenha, esse procedimento evita infecções. Além disso, podemos fornecer alimentos para a vaca logo após a saída da sala de ordenha, diminuindo assim a probabilidade de que a vaca se deite e se contamine.
Além da alimentação pós ordenha, sabemos que é de suma importância o fornecimento de água de qualidade. Depois da ordenha a vaca fica desidratada, já que entre 87% e 90% da composição do leite é formada por água.
Além disso, periodicamente, se recomenda o diagnóstico das mastites subclínicas do rebanho. A alternativa prática de ser realizada é a utilização do teste da raquete, feito no mínimo uma vez ao mês ou uma vez na semana. O diagnóstico daqueles animais que apresentam mastite subclínica é muito importante para a definição da sequência dos animais a serem ordenhados e para tomada de decisão do médico veterinário para eventuais tratamentos.
Arielli Pias
Médica Veterinária e Técnica em Agropecuária
Agropecuária AgroCampo
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17/09/2022
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